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Aspecto Político da Criação do Município
Na eleição de 1892, Manuel Antônio Pereira de Magalhães, sobrinho de Manuel André Correia, é eleito para o cargo de intendente do município de Limoeiro. Durante a sua gestão, construiu o açude público, localizado em Cacimbas (atualmente um dos mais populosos bairros da cidade), chamado açude do governo. Construiu, também no centro do povoado, o açude Tanque de Fora.
Ainda em 1892, através do apoio que o povoado de Arapiraca deu ao comendador Palmeira, com a força eleitoral de 55 eleitores, conseguiu Esperidião Rodrigues a instalação de uma agência dos Correios. Servira como primeiro agente dos Correios; o Sr. André Rodrigues de Macedo.
Foi durante o governo de Gabino Besouro que foi criado o Cartório do Registro Civil.
A partir de 1892, o povoado começou a se desenvolver, com a construção de mais casas.
No inicio deste século, Arapiraca ainda era edificada com casas de "taipa", modelo duas águas com biqueira. Existindo duas construções em alvenaria: uma, no Quadro, atual comércio, construída pelo Capitão Chico Pedro e, outra na Rua Nova - atual Praça Deputado Marques da Silva, um sobrado construído por Antonio Apolinánio e que depois serviu de Paço Municipal.
O desmatamento que Manoel André fez ao lado da Arapiraca para plantar sua primeira roça, tinha a dimensão de um quadro (medida tradicional) com formato retangular. E foi exatamente, com a forma desse quadro, que teve início o amuado de casas de taipa de duas águas.
Quando o povo de outra região se dirigia para a nova localidade, anunciava que ia para o "Quadro de Arapiranen".
Esta foi a primeira denominação dada pelo povo a primeira rua do lugarejo que hoje tem o nome de praça Manuel André.
As mais que foram surgindo através do tempo, saíram desse "Quadro" e, ainda hoje as pessoas mais idosas da cidade usam essa expressão quando se referem ao comércio de Arapiraca.
Mesmo muitos anos depois da Emancipação de Arapiraca. os habitantes do "Quadro" ainda eram todos remanescentes do pioneiro Manuel André, somente depois, é que foram chegando os primeiros imigrantes.
Assim compunham os moradores do referido "Quadro", Antônio Apolinário José Lúcio da Silva, João Magalhães, Antônio Cavalcante, Major Zé Farias, João Ribeiro Lima, Manoel Lúcio Correia, José Jacinto, Pedro Nunes de Albuquerque, Jovino Cavalcante, Jose Zeferino de Magalhães, Cap. Chico Pedro, Manuel Everisto, Firmino Leite, Domingos Lúcio, Aprígio Jacinto e, mais adiante, aí se estabeleceram: Manuel Teles, Zezé Moço, Luiz Pereira Lima, Domingos Mota, Guilherme Moreira de Araújo, Né Môço, Gabino Barbosa, Manuel Fernandes e Davi Barbosa, que foram os primeiros comerciantes imigrantes que vieram de fora para se estabelecer no "Quadro".
O "Quadro" era o centro urbano, com muitas árvores nativas, em cujas sombras os feirantes colocavam carros de boi, amarravam animais e a meninada da época brincava diariamente. Existiam diversos umbuzeiros e uma velha tamarineira, em frente à loja de Jose Lúcio da Silva, em cuja sombra nasceu a feira e onde os trabalhadores Vicente Flor, João Higino Belo, Joça da Serra, Pedro Alexandre, André Marchante e outros, penduravam a carne para vender. Havia também um coqueiro que, ainda neste século existia considerado como relíquia pelos descendentes de Manuel André.
Com o crescimento do povoado, o "Quadro" não mais comportava seus habitantes, e um novo espaço foi cedido por José Severino Magalhães, proprietário da área, surgindo a Rua Nova. Assim foi chamada pelo povo durante muito tempo, recebendo através dos anos, outras denominações e, finalmente, chegando a atual: Praça Marques da Silva..
Na Rua Nova, existia um viçoso Pau Darco e um frutífero Genipapeiro em frente à casa de Tibúrcio Valeriano. Conta-se que, certa vez, o Pe. João Maria, de passagem por Arapiraca, observando o verde destas árvores, afirmava que em seu subsolo, não muito distante, com certeza passaria algum lençol dágua, daí o vigor daquelas plantas tão verdes. E seguiu dizendo que se alguém cavasse um poço a poucos metros de profundidade, encontraria água abundante. Aproveitando a sugestão, José Magalhães cavou unia cacimba que, durante décadas forneceu água gratuita à população daquela época.
Foi na Rua Nova que ocorreu a Emancipação Política, onde funcionou a Junta Governativa, ficou instalada a prefeitura, funcionou a primeira delegacia, onde ficava o famoso Hotel Estrela, a Igreja de São Sebastião na qual se realizavam as concentrações cívicas em homenagem ao 7 de Setembro e os festejos em homenagem a São Sebastião.
Os primeiros moradores da Rua Nova foram José Bernadino, Joãozinho Albuquerque, Neném Ribeiro, Toinho Rodrigues, Deca Magalhães, Pedro Lima de Oliveira, Manoel Leão, Brás Vieira, Chico Lúcio, Tihúrcio Valeriano, Cecilia Fausto, João Juviano, Antônia Cavalcante, Manuel Pereira, Maria do Juca, Manuel Sátrio e Pedro Pereira, que depois cedeu sua casa para o correio.
Hoje, este logradouro, embora desfigurado pelo progresso, guarda muita coisa da historia de Arapiraca, a Igreja de São Sebastião é testemunha da época áurea de Arapiraca.
Em 1908, foi criada a Sociedade Musical União Arapiraquense, ficando como seu primeiro presidente o comerciante Experidião Rodrigues da Silva. Todo instrumental da Banda foi comprado em Paris. No dia 2 de fevereiro de 1909, pela primeira vez, a Banda tocou a retreta da festa da padroeira, sob a regência do maestro Vieira.
Durante a oligarquia dos Malta, o povoado de Arapiraca perdeu a sua liderança política no município de Limoeiro. Em 1915, conseguiu readquirir essa liderança com a eleição de Esperidião Rodrigues Silva para intendente do município de Limoeiro. Nesse mesmo ano Esperidião Rodrigues conseguiu mais uma escola para o povoado de Arapiraca.
A partir de 1912, surgiu idéia de Emancipação Política, virtude das divergências entre a sede do município e o povoado. Em 1918 foi criado um tiro de Guerra no povoado de Arapiraca, por iniciativa de Anfilófilo C. de Souza Guerra.
No dia 15 de abril de 1924, começou a batalha da Emancipação. Esperidíão Rodrigues da Silva, depois de unia permanência na capital alagoana, durante 40 dias conseguiu que a Câmara dos Deputados aprovasse o projeto de Lei, assinado pelo Deputado Odilon Auto, tornando Arapiraca, Vila e Município. O Governador Fernandes Lima sancionou o dito projeto, no dia 30 de maio de 1924. Ao sancionar o projeto de Lei, dirigiu-se a Esperidião Rodrigues através do seguinte telegrama:
"Acabo de sancionar projeto de lei vg criando o município Arapiraca com cuja população laboriosa vg adiantada vg progressista vg congratulo-me por intermédio amigo vg o grande vg incansável paladino desta conquista vg que representa o ato de justiça dos poderes públicos vg a um povo que levanta por si próprio vg que tem iniciativa e que progride. Pt Cordiais saudações pt. Fernandes Lima. Governador do Estado
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