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A criação do município

 

Como o governador Fernandes Lima terminava seu mandato no dia 6 de junho, o seu substituto Costa Rego, determinou que daria a posse ao novo município no dia 30 de outubro do mesmo ano.

 

No dia 30 de outubro de 1924 foi empossada a Junta Governativa, composta dos seguintes membros: Francisco de Paula Magalhães - Presidente e mais os seguintes: Tibúrcio Valeriano da Silva, Pedro Lima, Cícero Gonzaga, Antônio Ribeiro. Aprígio Jacinto, Antônio Apolinário, José Pereira Sobrinho e Domingos Rodrigues.

 

Estiveram presentes no ato de instalação do novo município o Dr. Medeiros, Juiz de Direito de Palmeira dos Índios, a cuja comarca ficou Arapiraca anexada, além do Bispo de Penedo, D. Jonas Batingas. Dr. Pedro Correia, Juiz de Direito de São Miguel.

 

A instalação do novo município, se deu justamente ao meio dia, quando foi lido o termo de posse A banda de música local executou o Hino Nacional. O Tiro de Guerra, comandado pelo Sargento Américo e constituído por 72 atiradores, permaneceu no local, perfilados.

 

Em novembro de 1924 foram eleitos os conselheiros municipais, prefeito e vice-prefeito, para o período de 7 de janeiro de 1925 até igual data de 1928. No dia 7 de janeiro de 1925 tomou posse o primeiro prefeito. Esperidião Rodrigues da Silva e como vice prefeito o senhor José Magalhães. Os conselheiros eleitos e empossados na mesma data foram os seguintes: Pedro Gama da Silva, Pedro Leão da Silva, Manoel Ferreira de Brito. Manuel Lúcio Correia, Manuel Pereira de Albuquerque, Manoel Correia Amorim, Manoel Pereira da Silva (barbeiro), Rosendo Leite da Silva. Antônio Feliciano da Silva e Antônio Pereira da Silva. Foi eleita a primeira junta dos Conselheiros da seguinte forma:

Pedro Leão da Silva - Presidente

Manuel Pereira da Silva - Vice presidente

 

Quando Arapiraca foi elevada à categoria de cidade contava apenas, com quatro logradouros públicos incompletos e alguns acessos. Assim distribuídos:

Quadro - atual Praça Manuel André

Rua Nova - hoje Praça Deputado Marques da Silva

Pinga Fogo - atual Anibal Lima e início da rua Boca da Caixa, atual 15 de Novembro.

 

Após a emancipação, aproveitando um longo corredor que sai da extremidade da Rua Nova em direção à localidade de Cacimbas, o prefeito eleito, Major Esperidião da Silva, construiu (cedendo uma faixa de terra de sua propriedade) a Rua do Cedro atual Avenida Rio Branco, recebendo esse nome por existir uma série dessas árvores, as quais, tempos depois, foram destruídas.

 

A Rua do Cedro era um trecho que recebeu uma especial simpatia pelo prefeito Major Esperidião Rodrigues, por isso resolveu transformá-la numa Rua bem planejada e bonita.

 

E foi um sonho que o prefeito Esperidião Rodrigues conseguiu transformar em realidade: construir uma rua conforme o seu gosto, nela edificar a prefeitura, sua residência, e colocar o nome de um vulto da História do Brasil que muito admirava o Barão do Rio Branco.

 

Aberta a rua, e construído o prédio da prefeitura, foram chegando os primeiros moradores: José Francelino, Domingos Rodrigues, José Zeferino Magalhães, Pedro Pereira, Júlio Rodrigues, Ernesto Francolino, Florêncio Francisco, Inocêncio Brito, Agapito Viana Magalhães, Engrácio Correia e as repartições públicas: Coletoria Estadual, Prefeitura Municipal de Arapiraca. Também aí se estabeleceram: Lino Rodrigues, família Garcia, Dedé Vigário, Manuel Sátiro, José Pedro, Domingos Evangelista, a velha Luzia, Júlio Preto, Manuel Fernandes, Manuel Petuba, Virgílio Rodrigues, Gondim Rodrigues.

 

Além desses logradouros, existia ainda o Beco dos Urubus, que saía do centro do "Quadro" em direção à lagoa, onde o comerciante Firmino Leite estendia couros para secar ao sol, atual saída para a ponte do Alto do Cruzeiro. Antes da atual ponte sobre a lagoa, estava situada a frondosa e verdejante "Arapiraca", que serviu de sombra acolhedora ao primeiro habitante e assistiu, como testemunha muda, ao nascimento de uma cidade com seu próprio nome, infelizmente, o marco foi destruído para dar passagem ao progresso, talvez.

 

Afora isso, existia um largo que partia da Rua Nova, em direção ao cemitério (onde está situada a concatedral Nossa Senhora do Bom Conselho onde por muito tempo existiu um matadouro) atual Largo Dom Fernando Gomes.

 

Um panorama bucólico dominava a cidade, naqueles tempos idos: a presença de animais pastando em plena rua era constante e dezenas de carros de boi trafegavam diariamente, escutando-se o contínuo ranger das rodas nas tardes ociosas do verão. A noite, os jovens contavam estórias sentados nas calçadas e os mais conservadores rezavam ofícios e novenas na igreja. A vida era aquela rotina e até o tempo demorava a passar, pois o movimento era pequeno e as horas eram ociosas. Enfim, a cidade parecia até que vivia parada no tempo. O progresso ainda estava longe e o casario de formas singelas dava ainda a impressão de um povoado.

 

Enquanto as cidades são pequenas, são fontes inesgotáveis de fatos folclóricos. A principal razão desta incidência é exatamente a presença do homem simples, ou seja, do povo inculto.

 

Nos primeiros anos de Arapiraca, ocorreu uma infinidade de manifestações populares, por obra e graça da presença de espírito e de ironia do povo que conversava nas calçadas. Nas tardes de verão, imitar certos personagens da comunidade, inventar situações, contar anedotas, pôr apelidos, tudo isso constituía a diversão do povo de Arapiraca, naqueles tempos idos.

 

Assim, com ironia, o povo nomeou certos pontos e logradouros, com: Beco dos Urubus. Sovaco da Ovelha, Boca da Caixa, Rabo da Gata, Cacete Armado, Taba Lascada, Buraco Azul, Gancho da Véia, Beco de Fogo Apagado, quase todos extintos, atualmente.

 

A Rua Pinga-Fogo, por exemplo, foi o termo apropriado que o povo encontrou para ironizar as pessoas que residiam na faixa que ligava a Rua Nova ao Comércio (atual Rua Anibal Lima), porque as mulheres brigavam todo "santo" dia, eram Dona Marcolina, Zefinha Magalhães, Dona Firmina, Maria do Juca, que, segundo o povo, tinham a língua tão quente que só faltava pegar fogo.

 

Neste tempo, moravam na Rua Pinga-Fogo: João Biu, Elísio Barbosa. Domingos Mota, Manuel Pereira, Né de Brito, Mestre Badu, Andrelino Pereira, Zé Lourenço, André Axelino e José Galdino

 

Produto da Imaginação do povo simples, no tempo que o povo, comparando à sua maneira, achou por bem denominar de Boca da Caixa a rua que servia de entrada e saída do "Quadro" e da cidade. Uma prova de que naquela época, tudo era levado na base da irreverência e da ironia.

 

Era a presença do espírito e a criatividade própria das pequenas comunidades nordestinas que davam origem a um fato folclórico que perduram por multo tempo. A famosa Boca da Caixa, atualmente Rua 15 de Novembro, uma das mais movimentadas da cidade.

 

Os primeiros habitantes deste logradouro, quase centenário, foram os componentes da família Galdino, que construíram algumas casas de taipa e biqueira, no lado de cima, dando início ao povoamento do local que, antes era apenas um longo corredor que saía para a estrada de Limoeiro de Anadia.

 

Alguns anos depois, deixando o bairro Cacimbas, Firmino Leite foi residir com sua numerosa família na Boca da Caixa, onde, inclusive montou uma "casa de farinha" atividade muito rentável naquela fase embrionária. Logo em seguida, Manuel Lucindo construiu uma uma casa para morar com a família, onde atendia aos seus clientes como "doutor de raiz". Logo após. chegava a Delegacia de Polícia - a famosa Casa Amarela. Seu Faustino foi outro que chegou muito cedo à Boca da Caixa, vindo em seguida, Pedro Oliveira, Leocádio Pinheiro, Zezé Penha, Vicente Português, João Riachão, Miguel Leite, Cornélio Flandeleiro e Antônio Felinto.

 

 

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