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Julho de 2001 A criação da União Africana - UA
LUSAKA, Zâmbia - Líderes africanos se reuniam a portas fechadas na terça-feira para delinear um novo órgão de integração continental, que substituirá a Organização da Unidade Africana (OAU). O ex-chanceler da Costa do Marfim, Amara Essy, foi escolhido para comandar a tarefa.
Essy assumiu o cargo de secretário-geral da OAU. Caberá a ele, portanto, transformar essa organização de 38 anos na nova União Africana (UA), inspirada na União Européia e no Nafta (Tratado de Livre Comércio da América do Norte).
Na terça-feira, os líderes do continente reunidos em Lusaka devem tomar decisões relativas à instituição de um Parlamento, uma comissão executiva, um tribunal e um banco central continentais.
A sede da comissão executiva será em Adis Abeba, capital da Etiópia, atual sede da OAU. A localização dos outros organismos será alvo de intensas negociações em Zâmbia.
Alguns líderes, como o veterano presidente do Quênia, Daniel arap Moi, acham que o novo grupo deve se dedicar a resolver os vários problemas africanos, principalmente os conflitos armados. "É inútil falar de União Africana sem resolvê-los", dirá Moi à cúpula, segundo esboço do discurso obtido pela Reuters. "A África está hoje mais dividida do que quando da criação da OAU. "Na noite de segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, se reuniu com os presidentes de Ruanda, Paul Kagame, e da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, para discutir o desarmamento das várias milícias que agem no Congo, o terceiro maior país da África.
Um funcionário da ONU disse que eles negociaram sobre bases já acertadas, e que Kabila demonstrou preocupação com interferências na soberania de seu país.
Antes de discutir um acordo de paz definitivo para o Congo, Ruanda exige o desarmamento das milícias hutus refugiadas no Congo desde que mataram 800 mil tutsis e hutus moderados, em 1994. Kabila tem o apoio de Zimbábue, Namíbia e Angola, no conflito apelidado de "Primeira Guerra Mundial Africana", por envolver vários países. Durante a reunião de Lusaka, o líder líbio Muammar Gadaffi foi reconhecido como o arquiteto da futura União Africana. Visto como um aventureiro perigoso no Ocidente, Gaddafi é considerado um estadista com genuíno empenho para resolver os problemas do continente. Há alguns anos, ele abandonou a retórica pan-árabe para dedicar-se à integração africana.
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