EDUCAÇÃO MELHORA VIDA NO PAÍS

28/12/2002

Número de municípios com baixo desenvolvimento humano caiu de 995, em 91, para 23

A educação foi o impulso para melhorar a qualidade de vida nos municípios brasileiros. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), que mede os avanços na educação, expectativa de vida e renda per capita, subiu de 0,709 em 1991 para 0,764 em 2000, conforme divulgou ontem o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (Pnud). Pelo indicador, quanto mais próximo do índice 1, melhores são as condições de vida. Os critérios de freqüência escolar e os níveis de alfabetização contribuíram com 61% para aumentar o índice. Enquanto isso, a longevidade colaborou com 13% do acréscimo, e a renda, com 26%.

O melhor município brasileiro é São Caetano do Sul, em São Paulo, com IDH-M de 0,919, o mesmo que o da Nova Zelândia, o 19º na lista de 173 países acompanhados pelo Pnud — o Brasil está em 73º lugar. A pior cidade é Manari, no sertão de Pernambuco, com IDH-M de 0,467 e renda média per capita de R$ 30,43.

O diretor de Estudos Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ricardo Paes de Barros, afirmou que só a longo prazo o aumento da educação vai começar a dar resultado em termos de progresso na renda das pessoas:

— Esse aumento da educação nos anos 90 vai se refletir num grande crescimento econômico na próxima década — disse Paes de Barros.

O estudo feito pelo Ipea, pela Fundação João Pinheiro e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (Pnud) mostrou que o número de municípios com baixo desenvolvimento caiu de 995, em 1991, para apenas 23 em 2000. Na outra ponta, o número de cidades com alto desenvolvimento subiu de 19 para 574.

Mas a desigualdade regional persiste. Das cem melhores cidades, apenas quatro (Fernando de Noronha, Brasília, Campos de Júlio, em Mato Grosso, e Chapadão do Céu, em Goiás) estão fora do eixo Sudeste-Sul. E os cem piores municípios estão concentrados no Norte e no Nordeste.

Desde 2000, 37% da população vivem em municípios com IDH alto (de 0,8 a 1 ponto, segundo a classificação da ONU). Mas 62,6% dos brasileiros moram em cidades com IDH médio (0,5 a 0,799 ponto) e apenas 0,15%, com IDH baixo (0 a 0,499).

Disparidade entre cidades continua

Como o índice aumentou em todas as localidades — as consideradas de baixo, médio e alto nível — a disparidade entre as cidades mais e menos desenvolvidas continuou a mesma. Segundo o presidente do Ipea, Roberto Martins, essas diferenças serão diminuídas a longo prazo. A avaliação faz sentido tecnicamente. Como já era esperado, as taxas de alfabetização, de esperança de vida e demais indicadores cresceram mais em locais menos desenvolvidos e menos em cidades que já apresentavam IDH mais elevados em 1991.

Segundo o estudo, levaria 71,5 anos para Manari (PE) obter o mesmo IDH-M de São Caetano do Sul (SP), o primeiro da lista. Essa diferença, no entanto, era de 82,2 anos em 1991.

Para citar um exemplo de evolução, Roberto Martins citou São José da Tapera (AL). Considerada o décimo pior colocado em 1991, a cidade ganhou 71 posições em 2000. A taxa de mortalidade infantil no local caiu, em nove anos, de 114 para 64 por mil. Segundo Martins, as melhorias foram fruto de políticas públicas:

— É uma demonstração de que políticas públicas podem melhorar a situação sem acréscimo de renda.

COLABORARAM Adauri Antunes Barbosa e Patricia Noblat

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