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O índio
Os 2 milhões de índios (aproximadamente) que habitavam o atual território brasileiro no início do século XVI estão reduzidos hoje a apenas 250.000, ou seja, menos de 0,2% da população total do país.
Qual a origem do índio americano?
A questão da origem do índio americano (ameríndio) tem gerado muita polêmica, sendo que diversas teorias a respeito já foram propostas.
Para o naturalista Florentino Ameghino, o indígena americano seria autóctone, isto é, originário do próprio continente.
De modo geral, os antropólogos estão de acordo quanto à origem asiática do indígena americano; porém, tem havido divergências num ponto: como chegaram à América? A esse respeito existem vária teorias, das quais a mais aceita é a do antropólogo Paul Rivet, que admite quatro hipóteses ou correntes de povoamento da América, a saber:
Quantos índios vivem no Brasil? Saber quantos índios vivem atualmente no Brasil é uma questão difícil e controvertida, que decorre de vários problemas, tais como:
Esses problemas estão vinculados ao grau de integração do índio à sociedade brasileira ou neobrasileira. As estimativas atuais, realizadas por órgãos como a Funai (Fundação Nacional do Índio), o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e o Cedi (Centro Ecumênico de Documentação Indígena), admitem a existência de aproximadamente 250.000 índios, concentrados quase totalmente na Amazônia. Façamos agora um breve retrospecto da história do índio a partir da Descoberta do Brasil:
A luta em defesa das comunidades indígenas e da preservação da floresta amazônica teve grande repercussão e atraiu a atenção mundial para os problemas da região. A demarcação das reservas indígenas e o movimento para a implantação das reservas extrativistas contrariaram os interesses dos garimpeiros, de fazendeiros e de empresas mineradoras, gerando inúmeros conflitos. Assassinatos como os do padre Josino Tavares (1986), coordenador da pastoral da Terra (apoiava lavradores em conflito com fazendeiros), e do seringueiro e líder sindical dos trabalhadores rurais de Xapuri (AC), Chico Mendes (1989), ganharam destaque internacional, fortalecendo a luta em defesa da ecologia e dos povos da floresta. Resultado disso foi a decisão do Banco mundial de vincular a liberação de empréstimos à proteção do meio ambiente e, também, a decisão do governo brasileiro, às vésperas da ECO-92*, de demarcar várias reservas indígenas (por exemplo, a do Xingu e a dos Ianomami). Mas as violências contra os índios continuam ocorrendo.
O colonizador e o índio
O processo de colonização empreendido pelo europeu na América, movido pela ganância de lucros e riquezas, foi altamente danoso e prejudicial ao índio, pois, em posição desvantajosa sob vários aspectos em relação ao europeu, o nativo não pôde resistir à fúria do colonizador.
Desde a extração do pau-brasil até os dias atuais, os índios foram explorados como força de trabalho, adquiriram doenças para as quais eram indefesos, sofreram perseguições e preconceitos, foram desalojados de suas terras, dizimados e até mesmo transformados em "objeto" de interesse turístico.
Muitos "integraram-se" à sociedade branca, porém essa integração é apenas aparente, pois, de um lado, o índio não consegue tornar-se um "civilizado" ou "branco" e, de outro, acaba perdendo grande parte de sua própria identidade.
As palavras a seguir são do indigenista brasileiro Orlando Villas-Boas: "Se fizermos uma comparação com os índios, poderemos dizer que os civilizados são uma sociedade sofrida. O índio, por sua vez, estacionou no tempo e no espaço. O mesmo arco que ele faz hoje, seus antepassados faziam há 1.000 anos. Se eles pararam nesse sentido, evoluíram quanto ao comportamento do homem dentro de sua sociedade O índio em sua tribo tem um lugar estável e tranqüilo. É totalmente livre, sem precisar dar satisfações de seus atos a quem quer que seja. Toda a estabilidade tribal, toda a coesão está assentada num mundo mítico. Que diferença enorme entre as duas humanidades: uma tranqüila, onde o homem é o dono de todos os seus atos; outra, uma sociedade em explosão, onde é preciso um aparato, um sistema repressivo para poder manter a ordem e a paz dentro da sociedade. Se um indivíduo der um grito no centro de São Paulo, uma radiopatrulha poderá levá-lo preso. Se um índio der um tremendo berro no meio da aldeia, ninguém olhará para ele, nem irá perguntar porque ele gritou. O índio é um homem livre." (Citado por Melhem Adas, Panorama geográfico do Brasil, p. 107.)
Os grupos lingüístico-culturais, a política indigenista do governo brasileiro e a questão das terras indígenas
A população indígena do Brasil, cerca de 250.000 pessoas em 1993, está dividida em dez áreas culturais (veja a figura 15.5) e concentrada principalmente na Amazônia, o último refúgio dos povos nativos. Donos de todo o território quando os portugueses chegaram ao Brasil, os índios ocupam, atualmente, cerca de 16% da área total do país, ou seja, 1.360.000 km2, de um total de 8.547.403 km2. As terras indígenas efetivamente demarcadas só representam cerca de 8% (680.000 km2) da área total do país.
A política indigenista do Brasil está a cargo da Funai (Fundação Nacional do Índio), órgão estatal subordinado ao ministério do interior e responsável pela aplicação da legislação contida no estatuto do Índio.
De acordo com este Estatuto, ou seja, para o governo, o índio não é um cidadão livre, mas sim, um indivíduo tutelado pelo Estado. Sua educação, saúde, proteção etc. são de competência do Estado. A situação jurídica dos índios é semelhante à dos filhos menores de idade em relação aos pais, na sociedade nacional não-indígena.
Quanto à questão da terra, de acordo com o Código Civil, o índio não tem propriedade (não é dono) da terra, que é da união, e sim a posse (ocupa sem ser dono) e o usufruto (utilização) de tudo o que a terra contém: fauna, flora, águas, jazidas etc.
A legislação que trata da questão da terra indígena, isto é, da sua legitimação e demarcação, vem sofrendo várias alterações ao longo do século XX. Nas últimas décadas, verificou-se um significativo avanço não apenas na conceituação legal do que seja terra indígena, mas também na organização e atuação dos povos indígenas e dos movimentos em defesa dos direitos indígenas. Apesar disso, a realidade mostra que ainda há um longo caminho a ser percorrido até que os índios tenham os seus direitos efetivamente respeitados.
O decreto executivo nº 736, de
6 de abril de 1936, definiu terra indígena como sendo aquela que
se enquadra em qualquer uma das seguintes situações:
A Constituição de 1967 redefiniu terra indígena, considerando-a bem da União, porém assegurando aos índios a posse permanente da terra e o usufruto dos recursos naturais nela existentes.
Em 1973, no apogeu do "milagre econômico" brasileiro, as terras dos povos indígenas da Amazônia estavam sendo devassadas pela construção das grandes rodovias de integração nacional. A Amazônia abria-se à penetração do grande capital nacional e estrangeiro.
Curiosamente, foi nesse mesmo ano de 1973 que o presidente Médici sancionou o Estatuto do Índio, e o governo federal criou a lei nº 6.001, identificando quatro tipos de terra indígena: reserva, parque, colônia agrícola e território federal indígena. Com exceção do último tipo, todos os demais já foram criados, ou seja, já existem.
A Constituição de 1998 marcou a consagração dos direitos dos povos indígenas. Além de a nova Carta não fazer distinção entre índios aculturados e não-aculturados, o artigo 231 garante aos povos indígenas a posse das terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
Com relação à importante questão da demarcação das terras indígenas, os dados fornecidos pelo Anuário Estatístico do Brasil (IBGE) de 1993 mostram que:
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