Migrações, xenofobia
e crescimento do racismo
Eduardo Frigoletto de
Menezes
Nas últimas décadas, motivado principalmente pelo
aumento das desigualdades socioeconômicas, está havendo um aumento
do fluxo migratório dos habitantes dos países pobres na direção dos
países ricos.
Vários desses países desenvolvidos apresentam
problemas populacionais, inclusive, alguns deles, estão com
crescimento vegetativo negativo (perda absoluta de população),
devido às baixas taxas de natalidade e ao envelhecimento de seus
habitantes, fator que gera aumento da mortalidade.
Esse
conjunto de fatores faz que esses países necessitem de mão-de-obra
imigrante a fim de não prejudicarem suas economias. Entretanto, a
imigração, que é a solução mais viável para a manutenção econômica
daqueles países, é encarada pela população local com grande receio.
Uma espécie de força do mal rotula os imigrantes como bando de
malfeitores, espalhados pelo país, tirando os empregos dos bons
trabalhadores, violando suas mulheres, destruindo seus lares,
comendo seus filhos ... que exagero!
Esse fenômeno, conhecido
como xenofobia, vem crescendo e se incorporando a outros não menos
condenáveis, como os movimentos racistas (Klu-Klux-Klan),
neo-nazistas (Skin Heads), anti-semitismo (aversão aos judeus) e a
outros conflitos étnico-religiosos.
Curiosamente, um dos
países mais xenófobos é Portugal. Em 2004 aquele país definiu
através do seu Instituto de Emprego e Formação Profissional, 8.500
vagas para imigrantes em seu mercado de trabalho. A burocracia fez
com que ao final do ano somente 641 vagas fossem preenchidas. O mais
grave de tudo isso é que a grande maioria dos recusados eram
brasileiros. Sem falar nos 3.044 brasileiros barrados nos aeroportos
de Portugal por problemas com os vistos de entrada. Logo o Brasil,
que tão bem recebe os portugueses. Estudos indicam que somente no
Ceará ali residam mais de 40.000 patrícios, sem que não haja
obstáculo algum para que eles abram uma empresa.
Aliás, não é
só com o Brasil que existe má vontade da parte portuguesa. Entre
Portugal e Espanha a antipatia é mútua. Em Portugal existe até um
ditado popular que diz: “De Espanha nem bom vento, nem bom
casamento”. Quanto aos espanhóis, ficam muito ou bastante
preocupados se morarem no mesmo edifício onde vivem portugueses,
apesar de se preocuparem mais com os imigrantes norte-africanos
(principalmente marroquinos) e latino-americanos.
Na Espanha,
cidadãos argentinos vêm sendo barrados sistematicamente quando
tentam para ali emigrar, apesar da existência de acordos bilaterais
que estabelecem o bom entendimento entre ambos países e, haver muito
mais espanhóis na Argentina (254.073) do que argentinos na Espanha
(9.422), conforme apontam dados do ano de 2000. Sem falar que a
Espanha foi palco de recentes manifestações racistas, quando
torcedores mais exaltados xingaram o jogador Roberto Carlos de
“macaquito”.
Paradoxalmente, da Argentina – país que se
queixa de tratamento xenófobo por parte da Espanha - é o jogador
Disábato que, durante uma partida de futebol aqui no Brasil, teria
chamado o jogador brasileiro “Grafite” de “negrito de m....”.
Curioso é se constatar que o apelido “grafite” também é uma alusão
racista.
Na Itália, o problema chega a esfera governamental.
O líder xenófobo Humberto Bossi é integrante do governo de Silvio
Berlusconi e defende até o uso de tiros de canhões para barrar as
embarcações que ali tentem desembarcar imigrantes ilegais. Esse fato
gerou protestos até dos aliados do governo.
Pelo jeito, só
com leis mais rígidas, sanções econômicas por parte de órgãos
mundiais como a ONU, OMC e Banco Mundial, educação e a promoção da
redução das desigualdades sociais é que poderemos reduzir esse
problema.