Nas últimas semanas, como freqüentador assíduo que
sou do principal shopping desta cidade, não pude deixar de notar as
frenéticas obras que estão sendo realizadas com o intuito de
instalar catracas eletrônicas para cobrança de taxa de
estacionamento.
A primeira idéia que me veio à cabeça foi a
de indagar a alguns funcionários qual seria o intuito de tal
cobrança. A resposta é que seria para pagar um seguro de proteção
aos veículos que ali estacionam e o preço seria provavelmente de R$
1,00.
À primeira vista parece um preço baixo, mas se levarmos
em conta que o referido shopping tem cerca de 2.000 vagas de
estacionamento e há grande rotatividade, chegaremos a uma cifra
diária de alguns milhares de reais e, ao final de um único mês, por
volta de R$ 1 milhão (R$ 12 milhões por ano).
Será que
shoppings são lugares tão perigosos que há a necessidade de cobrar
tanto para segurar os carros de seus clientes? Vai continuar valendo
à pena entrar no shopping para fazer pequenas compras, tirar um
extrato bancário, realizar um depósito ou tomar um simples
cafezinho? Quem sai ganhando e quem sai perdendo com tal
cobrança?
Para tirar essas dúvidas, decidi fazer uma pesquisa
sobre para saber como está sendo tratado o assunto nos outros
estados.
O resultado até que não me surpreendeu. O assunto é
bastante polêmico e há estados que já proibiram tal cobrança. Em
alguns shoppings de Mato Grosso do Sul, o tempo mínimo de
permanência sem o pagamento da taxa é de 30 minutos. Em outros
estados, o tempo é de 60 minutos. No Rio de Janeiro foi aprovada uma
lei que garante a gratuidade de estacionamento para quem consumir,
no shopping, pelo menos, 10 vezes o valor cobrado pelo
estacionamento no período de até 6 horas.
Um dos maiores
interessados na cobrança é o Fisco Estadual que passa a arrecadar
milhões de ICMS. Sendo assim, estamos pagando mais um imposto (e que
imposto!).
É triste constatar a facilidade com que impostos
são criados do dia para a noite sem contrapartida para a sociedade.
Já são mais de 70 deles. Até mesmo o presidente Lula vem tentanto
criar mais alguns.
Acredito que nós consumidores não
ficaríamos tão chateados se tivéssemos a certeza que esse imposto
fosse utilizado para sanear a cidade. Será que pelo menos o imenso
esgoto a céu aberto existente na entrada daquele shopping será
coberto? Acho difícil. Será que as estreitas vagas para os carros
serão alargadas para evitar pequenos arranhões e amassões? Acho
pouco provável. Será que serão providenciadas coberturas para os
carros não ficarem expostos ao sol? Acho mais difícil
ainda.
Sem falar que não podemos esquecer que vêm aí um ano
eleitoral e, algum candidato mais “esperto” certamente se colocará a
favor da cobrança para receber em troca uma “pequena doação de
campanha”.
De outro lado quem sai perdendo além do consumidor
são as próprias lojas que prestam pequenos serviços ou vendem
pequenos produtos. A estimativa de queda é de 30% de seu faturamento
e, muitas delas simplesmente “quebraram”, numa “tsunami” de
falências.
Por que será que até mesmo nos EUA – o líder do
capitalismo mundial - onde o lobby dos empreendedores de shoppings é
forte e as doações para campanhas políticas são liberadas, a maioria
não cobra estacionamento? E por que será que isso também ocorre com
as maiores redes de supermercado?
No Brasil o segmento dos
shoppings é responsável por 25% do varejo nacional e, portanto, tem
um poder muito grande junto aos governos.
Chega de tantos
impostos sob o pretexto que for! Temos que aprender a defender
nossos direitos. O estacionamento é uma área comum do shopping e
serve com sua gratuidade para atrair consumidores e desafogar as
ruas da cidade.
É hora de passarmos a consumir em outros
shoppings que não cobram, passarmos a fazer comprar em outros
supermercados. Conhecermos outras marcas. Pressionarmos. Caso isso
não seja de todo possível, reduzirmos ao máximo nossas idas aquele
que resolver cobrar.